convalescença

20.11.06

Para ti

Foi assim como ver o mar...
E quando percebemos...
Estávamos a velejar, a caminhar,
a correr e algumas vezes a nos rastejar.
Sem mágoas?! Não!
Com mágoas rancores e amores.
Com vida, que respira fundo e sonoro.
Não tem nome, não tem porque.
Não é signo, é significado
Não é inofensivo
É nocivo
É co - dependência
É querer estar vivo para estar em ti
Em mim.
É clichê, é piegas, é velho , é novo
É único. Somos nós.
É igual, é diferente.
Pois é por ti, que minha carne treme.

Fany Wirthmann

18.11.06

enquanto isso...

P´´aginas abandonadas,teclado quebrado, que duplica os acentos.
Ideologias quase não existem, se ´´e que um dia existiram.
Vida boa! Me dêem outra opção?!

Em breve espero voltar a essas p´´aginas, escrever coisas interessantes para alguém e organiza-las melhor, com palavras devidamente acentuadas e escritos que provoquem algo, inclusive em mim.

30.8.06

Ventos

Acorda e já espia na janela o tempo.
As folhas estão balançando lá fora.
- Está ventando!
Agasalha-se o máximo que pode.
Duas blusas, jaqueta, cachicol, duas meias , gorro de lã e botas.
Enrola o cachicol no pescoço e vai subindo até cobrir metade do rosto.
Sai satisfeita, pois está segura, não passará frio, está protegida.
Pesada, mas protegida.
Pode sentir calor se a temperatura subir...
Não está preocupada com isso, o que não pode é sentir frio.
È. Ana queria a proteção e o desconforto e assim se privava de sentir a ventania.

Fany Wirthmann

2.8.06

Autofagia

Quase não chorava...
E quando o fazia era escondido.
Mantinha uma pose sóbria,
Os mais crescidos gostavam
Bonecas, carrinhos, barbies, jogos, xuxas...
Faziam parte da sua caixa de brinquedos
Dançava o ilariê como ninguém,
Os outros adimiravam aquele mini produto.
A pequena infante se comprometia com as vontades adultas.
E os cativava com sua performance idilica.
Sonhava em escrever sua epopéia
Talvez ainda sonhe...
Mas ocultava um lado hermético, impuro
Não porque quisesse, mas porque não sabia que existia.
Apesar de toda a trama, tinha desejos bucólicos, domésticos, artesanais...
Enfim, a infância chegou, com menos vigor
E com a inocência já perdida
No entanto, com o ranço de uma vida pueril
E o seu lado obscuro...
Descobrira...
Era o melhor que tinha.

Fany Wirthmann

Em defesa dos covardes

Voces já pensaram em como é preciso coragem para ser covarde?
A covardia não é o caminho mais fácil...ah não é mesmo!
Quantos meandros os covardes têm de enfrentar?
A primeira e tortuosa fase é de convencer a si mesmo
Que não é um covarde e sim uma pessoa desprovida de ousadia
Traçar estratégias e busacar subterfúgios também é uma tática
Além de ter que calar o seu próprio inconsciente
Cada vez que ele repete: “è um covarde mesmo!”
Também tem alguns covardes que a todo o momento querem te lembrar
Que você faz parte do grupo.
Mas o pior é carregar aquelas toneladas...
Que vão se acumulando no decorrer do caminho.
São verdadeiros heróis as vessas
Deus me livre da covardia!

Fany Wirthmann

1.8.06

Entre Olhos

Foi ontem o dia da minha morte
Foi pelos olhos dos outros
Não tive amor
Não conheci a alegria
Foi pelos olhos dos outros
Não tive a coragem de arriscar
Não fui além do limite
Inconstante,sabia o que seria de mim
Ainda assim negaram os meus olhos
Foi pelos olhos dos outros
Que não encontrei um sentido para a vida
Que a insuficiência me atormentou todos os dias
Caminhei por idéias repetidas,impraticavéis
Não enxerguei mais do que...
Foi tão terrível como se fosse a esperança daquilo que não chega
Foi pelos olhos dos outros
Um vazio,experiência inútil
Eu desejei mais,mais,mais
Os olhos não eram só meus
Desejo daquilo que não sascia
Olhei,olhei,e agora que eu vi
Agora,só agora...
Acabou
Foi pelos olhos dos outros
Foi eu estar morto sem ter vivido.

Ademilton Guerra

Eu não em mim

Eu não me encontro em mim
Não,eu não vivi pra isso
A vida inteira a perguntar
Como se a resposta fosse o sentido de tudo
Assim é a insuficiência
Ela a me corroer a alma,a triturar as entranhas
Eu queria sim o sentido das coisas
Penetrar em cérebros mil,vasculhar os pensamentos
Rir das idéias mais gênias e chorar com as mais idiotas
Sim,sim,porque todas elas não me fazem dar um passo a frente para aquilo que nunca serei
Eu queria sim a beleza das coisas
Penetrar em toda sua essência
Girar fascinado por cada momento
E me livrar desse tormento que me persegue
É a vida a passar e o dia ensinando a suportar o dia que ainda está por vir
Eu queria sim a vida das coisas
Mas a minha única grandeza
É eu não me encontrar em mim.

Ademilton Guerra

25.7.06



“Qualquer doação ao próximo, por pura covardia, será digna de um inferno qualquer.”
Clarice Lispector

Afins

Olhares voltados para a mesma direção, apesar de óticas diferentes.
Caminham na mesma estrada, mesmo que em variados compassos.
Vidas desiguais porém com o mesmo direito de ser vivida.
Idéias distintas, mas discutíveis, críticas pesadas, mas coerentes.
Respeito, quando necessário.
Amor com vontade, palavras com sinceridade.
Silêncio com harmonia, sorriso sem desespero.
Fidelidade. Só consigo mesmo.

Fany Wirthmann

Ilusionismo


Boca seca, tontura, olhos baixos e fundos...
A cabeça canta uma melodia desconhecida e monossilábica que se repete descontroladamente.
Corpo pesado, passos curtos, braços caídos e fracos.
Voz calma, cansada que oscila entre triste e feliz... mas cansada.
Por hora lágrimas rolam devagar, risos são mais rápidos... pensamentos? Sem identificação.
...depois daquela noite, aquele pesado entorpecente, que me consumiu sem pudores, medos, horrores ou culpas...
Embriaguei me dele com amores...uma gostosa falta de ar...
Sagrado e profano , uma verdadeira ilusão.

Fany Wirthmann

Pré - textos

Não acordo mais em vão.
Desperto me agora com motivos
Se maus ou bons, quem dirá?
Se levanto para a liberdade ou para a mais profunda das escravidões?
Não me importa , não te importa.
Piso no chão.
As nuvens?
Deixo para quem se incomodar com elas.
Causas, utópicas ou não, são sempre causas
Propósitos, incoerentes ou não, são sempre propósitos
Desculpas, sinceras ou não, são sempre desculpas
Justificativas, injustas ou não, sempre justificativas
Argumentos rasos ou não, sempre argumentos
Vidas vazias ou não, são sempre vidas.
Válidas? Não. Vidas!

Fany Wirthmann

20.7.06

(...)

Todos me olham e desviam seus olhares dos meus.
Parada no ponto de ônibus. Todos que passam: me olham.
“...que egocentrismo!Como posso...achar que todos me olham?!”
Continuo com a impressão de estar atraindo olhares, preciso me ocupar.
Melhor: preciso me ocultar, não não, preciso me “oculpar” (esconder a culpa).
Quando chego em casa a situação é diferente. Que alívio...
Todos de cabeça baixa ... NÃO QUEREM ME OLHAR!
Sinto que alguém está me olhando, me volto para essa pessoa... e pronto: cabisbaixo.
É isso. Sinto-me culpada .Esses daí são bonecos da minha fértil imaginação.
Meu Deus! Não sou assim...tenho capacidade...Meu Deus não!Nosso Deus!
Ai, a culpa novamente...

E assim foi essa trajetória...Coberta de culpas suas e não suas. E como neste texto sempre faltando alguma coisa.
Fany Wirthmann

Impressões

Sentada na mesa de um bar Madalena observa os músicos e as pessoas ao seu redor e felicita-se por ser quem é : Aquela de nome forte e bíblico (a protegida de Jesus) e levada por esse pensamento pedante, passeia seus olhos pelas pessoas ali presentes e conclui: "todos iguais e inconscientemente necessários uns aos outros".
O som de uma cuíca a retransporta para a sua condição local e percebe que já está levemente embriagada e recorda-se da pessoa que está ao seu lado suplicando ao menos um sorriso.
O sorriso foi dado, para depois olvidar se novamente à pessoa, vários outros ruídos começam a invadir sua sensibilidade madelenística, inclusive o daquela música que repete sua graça: Ô Madalena...Porém um estalo a tira do transe e enxerga: - não era o som de uma cuíca e sim um apito, um minúsculo apito em forma de T, que reproduzia o som da cuíca.

Fany Wirthmann